Ap Túlio Barros Ferreira
Todos nós estamos engajados em uma escola muito especial, em que Jesus é o principal mestre.
No evangelho de Marcos 1.16-20, encontramos a narrativa da escolha dos doze discípulos de Jesus. Nele, verificamos que Jesus chamou pessoas independentes de seus méritos pessoais, seu valor intelectual ou sua capacidade profissional. Ainda hoje, Jesus escolhe a quem quer, como quer e quando quer, em sua soberania e conforme os seus propósitos.
Jesus não escolhe pessoas iguais, feitas em série. Escolhe, sim, pessoas diferentes. Alguns timidos como Natanael; outros, extrovertidos como Pedro; ainda outros, irracíveis como Tiago e João, que foram apelidados por Jesus de “Filhos do trovão”.
Ele faz escolhas desta forma, para poder trabalhar em cada vida. Escolhe pessoas como você e como eu. Umas, para pescar; outras, para regar; outras, para segar; umas, para ensinar e, outras, para corrigir.
Todos estamos em uma grande escola e, como nos tempos de Jesus, esta escola é dinâmica, formal e informal, itinerante e de constantes e profundos relacionamentos.
Nesta grande escola da vida, Jesus nos chama para que estejamos aprendendo com seu exemplo, seus ensinamentos, seus preceitos e suas atitudes.
Durante anos, Tiago, Pedro, João e seus colegas receberam de Jesus muitas lições de vida.
Verificou-se neles o aprofundamento de sua fé, que deixou de ser superficial, imatura e interesseira, para unir-se ao próprio Mestre. Eis a prova: “Quereis vós também retirar-vos?” – Jesus perguntou aos discípulos – quando a multidão O abandonava, por sua declaração, que se não comessem a sua carne e não bebessem o seu sangue, não teriam vida em si mesmos (João 6.53-55,66).
A resposta de Pedro demonstrou sua maturidade de fé, quando respondeu: “Para quem iremos nós? Se tu tens as palavras de vida eterna, e nós temos crido e bem sabemos que tu és o Santo de Deus”.
Durante este longo período de aprendizagem que é a nossa vida com Deus, iremos nos deparar com muitas dificuldades. Precisamos ter consciência de que ainda não estamos no céu, mas estamos a caminho.
Se você for crente, sua fé se aprofundará, você terá condições de assimilar todas as lições que são necessárias ao seu crescimento, podendo articular sua fé, ensiná-la e defendê-la. Se não for crente, vai desistir. E isso não será novidade, pois quando Jesus estava ensinando aos seus discípulos, pessoalmente, um deles desistiu. Mas os que continuaram, não foram mais os mesmos, amadureceram na fé e aprofundaram-se nela. Encerrados os três anos de convívio e aprendizado com jesus, estavam profundamente transformados. Bendito convívio!
Os discípulos aprenderam a enfrentar adversidades, choques e maus entendidos. Tiago e João buscaram lugares preeminentes, e aprenderam a primeira grande lição no sermão das bem-aventuranças, quando Jesus proferiu: “Bem aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus”.
Os discípulos aprenderam com Jesus, que grande não é quem manda, lidera, preside, tem autoridade ou notoriedade; grande é o que serve. Aprenderam por experiência própria, que tempestades podem sobrevir, ondas podem elevar-se e se tornarem procelosas a ponto de ameaçar o nosso pequeno barco.
O mar da Galiléia serviu de palco para uma linda lição que muito há ainda de servir a nós, como serviu para os discípulos.
Certa vez, Jesus os fez entrar no barco para atravessar o lago e subiu o monte para orar. Durante toda a noite os discípulos não fizeram nenhum progresso, porque o vento lhes era contrário. O que eles não sabiam, é que naquela madrugada enluarada, por entre os ramos das árvores, Jesus os olhava e, ao amanhecer, sairia ao encontro deles para abençoá-los.
Que lição aprenderam! Que lição aprendemos com Ele!
O vento pode ser contrário, as circunstâncias adversas, o ministério pode não assinalar progresso, o barco pode parecer não sair do lugar… tudo pode estar contra, mas Jesus está a nosso favor. No momento certo, Ele vem ao nosso encontro, dizendo-nos: “Tende bom ânimo, sou Eu, não temais”.
Comentários